domingo, 29 de maio de 2011
Liberdade é...
Liberdade é poder se sentar pra ouvir a música do oceano
Liberdade é a fumaça dançando ao vento, sob a luz de uma lua fria
Liberdade é o que eu sinto quando teus braços me prendem
Liberdade é o vôo das sementes de um dente de leão
Liberdade é o florescer de uma rosa, em uma primavera sem fim
sábado, 28 de maio de 2011
Fábula
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Universo Inconstante
E a Lua canta para os homens, os hipnotizando
Os fios de luz caem para que nós possamos subir
Para participarmos do festival espacial
Vênus ainda brilha no horizonte, distante
Enquanto deslizamos pelos anéis de Saturno
Segure minha mão, confie em mim
Vamos mergulhar no infinito, pra encontrar o início
E tentar nos perder do fim
Meus olhos estão fechados, mas continuo a te ver
Minhas mãos estão frias, mas ainda posso te sentir
Tudo está em silêncio, mas sua voz ainda ouço
Então me sinto obrigado a perguntar:
Is there anybody out there?
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Ícaro?
O palhaço não mais ri, eu nunca mais me vi
O silêncio já não grita, a tormenta teve fim
As cicatrizes ficam, mas os motivos já não existem
O espelho não voltou a julgar, as coisas não saem do lugar
As palavras agora são mais belas, e os sonhos em voar insistem
As asas não se cansam, indo cada vez mais alto, sem temor
O medo não me acorrentou outra vez, como muitas vezes já o fez
Porém quando se voa acima das nuvens o próprio Sol o limite têm de impor
Derretendo a cera que une minhas penas, me fazendo cair em um monólogo de dor
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Decadência
Tal olhar tímido que te absolve da vida
A penumbra que encobre o céu, estrelas frutíferas
O cansado viajante, buscando pela chama ávida
Sua mão sedenta alcança o espelho pálido
E se atira no abismo, sem medo, impávido
Aquele que esperou com ansiosidade
Que a encontra, e a observa com olhar sagaz
Porém não a toca, não a sente, oh insanidade
Ela não esperou, não, ela não olhou para trás
Os trovões reluzem ainda distantes
A fumaça dança no ar, dando adeus à sanidade
Minha alma canta notas dissonantes
Clamando por um momento de paz, por piedade
E de tal parábola só uma conclusão posso tirar:
Eu não amo o amar
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Fantasias da lua
sábado, 5 de fevereiro de 2011
O antiquário
Eis que um jovem entra em um pequeno antiquário nos subúrbios de londres, o pequeno sino que soou quando abriu a porta o deixou um tanto inquieto. Uma vitrola arranhava um velho vinil, fazendo uns ruidos e, hora ou outra, tocando trechos de músicas estranhas a seus ouvidos franceses. Debruçou-se sobre o balcão e olhou em volta, um relógio cuco pendia num canto, seus ponteiros estavam parados, mas o tic tac continuava, como se o pequeno pássaro de madeira ainda tivesse esperanças de saltar de dentro do velho relógio em forma de casa... A raposa empalhada parecia fitá-lo, preparando em seu íntimo um ataque sorrateiro conta o visitante. Ele estava inquieto e encomodado com o clima pesado do local, então, no ápice de seus calafrios, a porta detrás do balcão abre-se de sopetão, e um velho senhor sorri e acena para ele, logo depois se sentando em sua cadeira de balanço. Em seus braços destacavam-se algumas queimaduras, aparentemente de cigarros, e seus olhos entreabertos olhavam esperançosamente para o possível cliente.
-Você poderia me dizer onde fica a rua Piccadilly, monsieur?
O velho homem levantou-se, se apoiando na velha bengala, e deu um tapa de leve na vitrola, que tocou o seguinte trecho de uma canção: "Witness the man who raves at the wall making the shape of his questions to Heaven"
Com isso o cuco saltou do relógio e caiu em cima do balcão.
-Acho que você está atrasado.- Disse o velho.
O homem saiu o mais rápido que pôde de tal lugar, e jura que ao abrir a porta pra sair não ouviu sino algum, mas não teve coragem de voltar seus olhos ao lugar do qual acabara de sair.